a casa onde vivo foi nossa por uns tempos. Nela existem todos os objectos que gostamos: há camas, almofadas, molduras, madeiras, copos, pratos; há lugares quentes e frios, há confortáveis e desconfortáveis, há cantos e cantos. Era a nossa casa.
Começou por ser vazia: o chão era estranho, as paredes não nos tapavam e o tecto parecia deixar ver o céu. Estava cheia de novidade e de muitos nadas mas era a casa que amávamos e todos os espaços em branco eram claramente e inconscientemente despercebidos.
Aos poucos cada nova coisa-nós passou a ser uma nova coisa-casa: eu podia ser uma mesa e tu cadeira, tu podias ser a luz de um candelabro-eu, ou seres um tapete sobre eu-de-chão.
A tua partida transformou a casa onde vivo num museu anacrónico com memórias em leilão. Vendo-as, vendo-te.
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