sexta-feira, 31 de outubro de 2008
o amor...
penso que é outra vez ele na sua forma antiga e eu na infinita arqueologia de o encontrar entre os escombros.
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
como um romance lido
termina sempre na última folha restando apenas a vaga ideia de palavras já ditas.
terça-feira, 29 de julho de 2008
de tanta morte
os teus lábios são agora negros como a podre membrana que nos prende. o rosto em mármore esvaiu-se em cianose, não tens cor nem sabor. Ainda te amo; eu, ainda te amo como os necrófagos amam o sabor dos corações que já não batem de tanta morte.
quarta-feira, 9 de julho de 2008
deixo-te ir
caíram muitas folhas no chão e muita água correu pelos rios depois da chuvas de Inverno. Aos poucos a tua falta passou do coração para a boca do estômago e depois para os olhos e para a cabeça diminuindo o teu cheiro, a forma da tua cara, os teus gostos e sabores, as nossas noites e o meu desejo do teu corpo a flutuar como se fosse meu sudário.
aos poucos a minha pele não mais se arrepiou na tua presença, os teus beijos já não me sabiam como um amido cola e a tua saliva com língua tinha menos forma de se colar na minha pele.
não sei agora se te amo, se te quero, se desejo, se desprezo, se desisto ou deixo andar-me.
aos poucos o tempo leva-te para onde só tu sabes para onde vais. E eu?
Deixo-te ir.
aos poucos a minha pele não mais se arrepiou na tua presença, os teus beijos já não me sabiam como um amido cola e a tua saliva com língua tinha menos forma de se colar na minha pele.
não sei agora se te amo, se te quero, se desejo, se desprezo, se desisto ou deixo andar-me.
aos poucos o tempo leva-te para onde só tu sabes para onde vais. E eu?
Deixo-te ir.
domingo, 6 de julho de 2008
estação
não há qualquer novidade que o Verão me traga. As lágrimas, que no Inverno passariam como chuva, fazem-me agora arder, com sol e sal do mar, a pele. Não há qualquer estação onde possa estar senão aquela onde me sento à espera de comboios imaginários que te tragam de volta dessa longa viagem onde foste sem mim.
segunda-feira, 23 de junho de 2008
segunda-feira, 26 de maio de 2008
entre outras coisas mais
fazemos escolhas a pensar nos outros e depois temos de viver com elas mesmo quando essa base de decisão partiu para longe. é este o verdadeiro problema dos meus sofás...
guardas
onde se guardam as coisas boas que foram nossas? Guardo-as em sacos, à entrada de casa no corredor depois aos poucos queimo-as, ou deito fora, ou ofereço a pobres materialmente infelizes. Primeiro vão as cartas mais antigas, depois as nossas caras juntas numa moldura pirosa onde o teu cabelo balança ao vento. Vão morrendo estes nossos objectos-ponte entre o passado e este sufocante difuso e baço presente onde o teu ser se arrasta como meu mártir de mil pecados em joelhos, por quilómetros infindáveis de uma estrada com rasto de pele e alcatrão grosso em sangue delicado. E como apagar as memórias? Não sei... Talvez com uma transfusão de vida, feita a cada respirar fundo, por cateteres finos em braços com uma tecitura de veias finas e bailarinas para um coração obstinadamente apaixonado e já fraco...
domingo, 25 de maio de 2008
talvez
nos diálogos com a minha solidão uso muito a palavra talvez com o valor de um prefixo para esperança...
sábado, 24 de maio de 2008
ainda te ligo
esperei muitos dias antes de voltar a ligar-te de novo. Peguei no telefone, hesitei, marquei o número apaguei, desliguei e voltei à marcação de cada um dos números como uma cavalgada louca que transportava o meu coração, ou o vazio dele, do sítio do costume até à boca. Cada tecla era um pavoroso arrepio em direcção a ti, ao terás eventualmente saudades minhas? Ao estás sozinha? Ao, simplesmente, como estarias?
Ouvi muitas e tantas vezes, do outro lado, a melodia esquizofrénica de uma sinal a chamar ao qual ninguém responde.
Demorou muito tempo até perceber que o teu lado era agora e talvez para sempre um vazio.
Ouvi muitas e tantas vezes, do outro lado, a melodia esquizofrénica de uma sinal a chamar ao qual ninguém responde.
Demorou muito tempo até perceber que o teu lado era agora e talvez para sempre um vazio.
quarta-feira, 2 de abril de 2008
as palavras...
as palavras que nos separaram tomam-me sempre de assalto nas horas mais inesperadas do dia. Umas atrás das outras, lentamente e armadas até aos dentes com a perversidade de me deixar só e quase morto, elas vão aparecendo nas esquinas, nos becos e nos mais escuros cantos que as minhas ruas têm. As tuas palavras sabem já que nada tenho que possa ser roubado mas insistem nesta violação que leva de mim a qualquer espécie de coisa semelhante a um coração que renasce.
terça-feira, 1 de abril de 2008
e este tu
já me habituei à presença deste tecto, tão baixo, logo acima da minha cama, da almofada branca e da cabeça onde mentalmente te recordo em todas as noites de insónias. Já me habituei a este escuro, a esta lisura onde projecto as infinitas constelações que os nossos nós fariam, a este planetário onde giras infinitamente e sem parar como se eu fosse um sol irremediavelmente preso à escravidão alegre de aquecer a tua face em todos os dias tristes e frios e lágrimas.
Já me habituei a estar aqui sozinho. Eu e este tecto. Eu e este liso. Eu e este firmamanento da tua película aderente a mim.
Já me habituei a estar aqui sozinho. Eu e este tecto. Eu e este liso. Eu e este firmamanento da tua película aderente a mim.
quarta-feira, 26 de março de 2008
sábado, 22 de março de 2008
insónias
em noites de insónias gostava especialmente de te ver dormir. Depositava no ar alguns beijos e a palavra amo-te, depois eles corriam pelos pulmões, pelo sangue e pelas veias até chegarem ao teu coração. Tu dormias e sorrias, eu via…
volta(r)
para nós as promessas não morrem. custa-nos ver que, apesar delas, a outra escolhe outro, namora com ele, casa com ele e tem com ele a merda de filhos que nunca nos deu.
Custa-nos pensar aquela mesma pele, outrora nossa, com outras mãos e outros braços, noutros lençóis. Custa-nos pensar nela a cozinhar para o outro os bolos de chocolate de sábado à tarde que seriam nossos, a comprarem coisas para a sopa, a verem as contas chegar ao correio no final do mês e a comerem-se ordinariamente na bancada da cozinha por cima dos recibos que dizem pago.
Tudo dói em especialmente pela noção clara e evidente de que afinal não somos assim tão tudo para o outro.
Muito tempo depois ainda temos a ténue esperança do todo ser ainda possível: volta(r)
Custa-nos pensar aquela mesma pele, outrora nossa, com outras mãos e outros braços, noutros lençóis. Custa-nos pensar nela a cozinhar para o outro os bolos de chocolate de sábado à tarde que seriam nossos, a comprarem coisas para a sopa, a verem as contas chegar ao correio no final do mês e a comerem-se ordinariamente na bancada da cozinha por cima dos recibos que dizem pago.
Tudo dói em especialmente pela noção clara e evidente de que afinal não somos assim tão tudo para o outro.
Muito tempo depois ainda temos a ténue esperança do todo ser ainda possível: volta(r)
segunda-feira, 17 de março de 2008
novelos
tudo começava em Outubro Novembro. Mais ou menos, ao mesmo tempo que o frio ia entrando pela janela da sala numa invasão silenciosa e desconfortável para a nudez da nossa intimidade. Primeiro, apareciam as agulhas naquela dobra em cima da lareira, depois, durante uns tempos, ao chegares a casa, mostravas-me novelos de lã virgem, tentando facilmente provar-me a forma como cada um combinava tão bem com o outro. Em Dezembro, lentamente, numa técnica para mim absolutamente indecifrável, começavam a nascer os teus cachecóis e, daqueles novelos complexos, criavas estradas que, depois de acabadas, enlaçavas no meu pescoço, puxando-me de encontro ao teu corpo com um beijo prometedor.
Eu gostava de ficar ali, meio adormecido, meio morno, numa vigilância displicente à produção daquela arte fluida e ritmada a ver-te esconder que notaste a minha curiosidade com um interesse indolente ao que se passava numa televisão abandonada a uma sintonia aleatória com som baixo e triste. Antecipava mentalmente e numa ansiedade miudinha o momento em que a trama confusa daqueles novelos se iria transformar na simplicidade da tecitura colorida com a qual me prendias, num gesto pretensiosamente agressivo, para me obrigar a fazer amor contigo no chão da sala.
Eu gostava de ficar ali, meio adormecido, meio morno, numa vigilância displicente à produção daquela arte fluida e ritmada a ver-te esconder que notaste a minha curiosidade com um interesse indolente ao que se passava numa televisão abandonada a uma sintonia aleatória com som baixo e triste. Antecipava mentalmente e numa ansiedade miudinha o momento em que a trama confusa daqueles novelos se iria transformar na simplicidade da tecitura colorida com a qual me prendias, num gesto pretensiosamente agressivo, para me obrigar a fazer amor contigo no chão da sala.
a loiça
sempre soube que não gostavas de lavar a loiça. Tinhas horror à água, ao cheiro dos detergentes, à ridícula cor das luvas de borracha e ao calor que amolecia e depois estragava a pele das mãos. Era eu que lavava a loiça e lavar a loiça era a forma de conhecer bem os nossos restos: o tamanho das espinhas de beira de prato que cada um de nós não aguentava, as gorduras que rejeitávamos, os ossos duros de roer que não trincávamos.
Era boa esta arqueologia de cada prato, ao jantar; através dela eu conseguia ler as boas e as más disposições do quotidiano que, às vezes ocultavas para não me aborrecer com os teus assuntos. Num dia-sim, não ficava um único bago de arroz no prato, nos dias em que te olhavas demasiado ao espelho, pela manhã, seleccionavas criteriosamente, pela noite, tudo o que podia, eventualmente, tornar-te gorda; num dia de tristeza, a comida ainda intacta no meio do prato, tinha o teu olhar marcado como uma cobertura gélida; havia dias em que vinagre e azeite não se misturavam num pronuncio breve de algo em nós estar mal.
Eu lavava a loiça, limpava tudo e conhecia tudo. Depois encontrava-me contigo no sofá e adivinhava, sob a luz do espanto e encanto do teu olhar, aquilo que precisavas para transformar o fim do nosso dia naquele lugar perfeito ao lado de uma cozinha onde a loiça escorria limpa a água de lavar os nossos restos.
Era boa esta arqueologia de cada prato, ao jantar; através dela eu conseguia ler as boas e as más disposições do quotidiano que, às vezes ocultavas para não me aborrecer com os teus assuntos. Num dia-sim, não ficava um único bago de arroz no prato, nos dias em que te olhavas demasiado ao espelho, pela manhã, seleccionavas criteriosamente, pela noite, tudo o que podia, eventualmente, tornar-te gorda; num dia de tristeza, a comida ainda intacta no meio do prato, tinha o teu olhar marcado como uma cobertura gélida; havia dias em que vinagre e azeite não se misturavam num pronuncio breve de algo em nós estar mal.
Eu lavava a loiça, limpava tudo e conhecia tudo. Depois encontrava-me contigo no sofá e adivinhava, sob a luz do espanto e encanto do teu olhar, aquilo que precisavas para transformar o fim do nosso dia naquele lugar perfeito ao lado de uma cozinha onde a loiça escorria limpa a água de lavar os nossos restos.
quinta-feira, 6 de março de 2008
o que vem a seguir?
é a pergunta que fazemos quando ainda não esquecemos e nem sequer estamos prontos para não querer saber de. O-que-vem-a-seguir é uma teoria, uma fórmula, uma forma de viver sem o fazer, uma emoção-evasão ou uma evasão de emoções pouco comprometidas connosco. Normalmente, o a-seguir é um reles plano feito à última da hora e que, a maior parte das vezes, preenche os espaços vazios e também, a maior parte dessas mesmas vezes, só preenche os espaços vazios que pouco importam estar por lá. Infelizmente, e às vezes felizmente, o e-depois é muito pouco importante. -E depois? -E-depois acaba por acabar, porque não esquecemos o e-antes...
o passado tem formas que são toda a geometria explicativa de uma vida....
o passado tem formas que são toda a geometria explicativa de uma vida....
quarta-feira, 5 de março de 2008
vendo-te
a casa onde vivo foi nossa por uns tempos. Nela existem todos os objectos que gostamos: há camas, almofadas, molduras, madeiras, copos, pratos; há lugares quentes e frios, há confortáveis e desconfortáveis, há cantos e cantos. Era a nossa casa.
Começou por ser vazia: o chão era estranho, as paredes não nos tapavam e o tecto parecia deixar ver o céu. Estava cheia de novidade e de muitos nadas mas era a casa que amávamos e todos os espaços em branco eram claramente e inconscientemente despercebidos.
Aos poucos cada nova coisa-nós passou a ser uma nova coisa-casa: eu podia ser uma mesa e tu cadeira, tu podias ser a luz de um candelabro-eu, ou seres um tapete sobre eu-de-chão.
A tua partida transformou a casa onde vivo num museu anacrónico com memórias em leilão. Vendo-as, vendo-te.
Começou por ser vazia: o chão era estranho, as paredes não nos tapavam e o tecto parecia deixar ver o céu. Estava cheia de novidade e de muitos nadas mas era a casa que amávamos e todos os espaços em branco eram claramente e inconscientemente despercebidos.
Aos poucos cada nova coisa-nós passou a ser uma nova coisa-casa: eu podia ser uma mesa e tu cadeira, tu podias ser a luz de um candelabro-eu, ou seres um tapete sobre eu-de-chão.
A tua partida transformou a casa onde vivo num museu anacrónico com memórias em leilão. Vendo-as, vendo-te.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
corrosão
acordamos como se nos tivessem tirado uma parte entre o final dos pulmões e o fundo da barriga. Levantamo-nos. Não dormimos, ou dormimos mal, ou dormimos pouco, ou já nem sabemos bem a diferença entre a vigilância e o sono. Invariavelmente sentimo-nos uma merda. Sentamo-nos na beira da cama e queremos voltar a dormir, se é que dormimos- quando dormíamos sabia bem, isso sabemos. Passamos os olhos pelas paredes do quarto, temos memórias. Olhamos o umbigo e, na verdade, não há ali qualquer vazio ou bocado a menos. Essa parte de nós e tudo o que habitualmente está à volta ainda existe, está lá, podemos apalpar, tocar a pele e o ventre, sentido também que nada, lá dentro, nos falta.
Estamos física e comprovadamente completos a andar num quarto escuro onde os ácidos da solidão corroem com força o nosso interior. Desejamos uma morte rápida, bem mais rápida que a sucessão de cada um dos dias que estão para vir sem que o nosso olhar se cruze, escute e pare...
Estamos física e comprovadamente completos a andar num quarto escuro onde os ácidos da solidão corroem com força o nosso interior. Desejamos uma morte rápida, bem mais rápida que a sucessão de cada um dos dias que estão para vir sem que o nosso olhar se cruze, escute e pare...
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
uma história sobre a noite
à noite pedias-me sempre para te contar uma história das que eu tanto lia nos livros. Deitavas a cabeça no meu peito, fechavas os olhos e prendias-me num abraço longo que me resgatava com ciúme de envolventes e sensuais almofadas. Foi assim que viajámos nas estepes, nos desertos, nos temperos, nos cheiros e nos sabores, nos banais e nos mais exóticos lugares de muitas páginas que cada som da minha voz e da tua imaginação nos trazia. Eu contava histórias, tu acrescentavas detalhes que os escritores esqueciam e depois adormecias e às vezes sonhavas.
Nos dias em que eu não te lia perdíamo-nos apenas na área finita do mundo que a nossa cama desenhava.... Eram as nossas histórias preferidas: eu de Apolo tu de Afrodite, ou apenas os dois... nus.
Nos dias em que eu não te lia perdíamo-nos apenas na área finita do mundo que a nossa cama desenhava.... Eram as nossas histórias preferidas: eu de Apolo tu de Afrodite, ou apenas os dois... nus.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
nox
o sol demora doze horas a chegar ao lado oposto do horizonte e aí, em poucos minutos de uma beleza estonteante, desaparece... segue-se a noite, o escuro, o luto...
incógnita
não, eu não contava. Não contava os beijos, os braços e abraços; não contava os pêlos e os olhares, não contava as horas perdidas, as vezes e os momentos. Não contava os anos, os meses, os dias ou as semanas só de eu mais tu, vezes dois, vezes dez, cem ou mil. Não contava presentes e o dinheiro de os comprar, não contavam as ausências seguidas de compensações corporais tórridas. Não contava... Sempre fui mau nas contas, nas medidas, nas precisões matemáticas e racionais das coisas, nas mesuras dos meus sentimentos e no exagero fluído da minha paixão. Sempre fui inteiro sobre ti, uma qualquer coisa tão fácil de contar que se esquece. Um eu mais tu. Um nós que não precisava necessariamente de uma resolução perfeita, acabada ou finita.
Houve um dia em que comecei a perceber a verdadeira essência das incógnitas: a equação da tua partida que tento resolver até hoje...
Houve um dia em que comecei a perceber a verdadeira essência das incógnitas: a equação da tua partida que tento resolver até hoje...
domingo, 24 de fevereiro de 2008
fantasma
os teus mundos giram voláteis à minha volta e ainda marcam a pele que outrora se confundia na saliva dos teus beijos...
sábado, 23 de fevereiro de 2008
mesmo
mesmo quando a distância entre nós era a mesma que nos separava das estrelas que faziam os nossos tectos, lentamente descias sobre mim e fazias de uma outra cúpula antes de sermos cópula.
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
à noite...
...as minhas mãos misturam a saudade e o desejo até ficar uma vaga imagem de ti como nódoa nos lençois que a água, o sol e todos os outros tempos farão desaparecer.
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
começo
lá fora havia vento e chuva mas nada disso era importante.
Tu estavas numa ponta do sofá, muito direita, a escolher as palavras, os gestos e as melhores formas de não me olhares nos olhos. Eu estava exactamente na outra ponta do sofá para completar a grafia de um quadro bem composto. Olhava para ti, depois para o chão e depois para as minhas mãos frias; seriam tuas as palavras que eu mal ouvia?
Não me lembro de um outro dia em que tenha chovido tanto como naquela tarde ao longo do teu adeus para sempre...
dentro e fora dos meus olhos... chovia tanto...
Tu estavas numa ponta do sofá, muito direita, a escolher as palavras, os gestos e as melhores formas de não me olhares nos olhos. Eu estava exactamente na outra ponta do sofá para completar a grafia de um quadro bem composto. Olhava para ti, depois para o chão e depois para as minhas mãos frias; seriam tuas as palavras que eu mal ouvia?
Não me lembro de um outro dia em que tenha chovido tanto como naquela tarde ao longo do teu adeus para sempre...
dentro e fora dos meus olhos... chovia tanto...
terei...
terei que um dia deixar as linhas paralelas de um caderno antigo onde escrevo para que finalmente a palavra amor possa correr livre das regras que ditam o que é bem ou mal...
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